Robots mais parecemos
Com afinco os imitamos
Correndo por demais atarefados
Cada vez mais
DO TODO alienados
É estranho
Se saímos da corrida
E à nossa volta olhamos
Calma e tranquilamente
Observamos
E sem apegos, sentimos
A nossa própria loucura
Os sobrolhos franzidos
Em preocupação
Os olhares
Os esgares
De mágoa e frustação
A correria, o frenesim
Ainda assim
Alvíssaras, uns sorrisos
Mas a questão
Seja alegria, dor ou preocupação
É então
Porquê e para quê?
Para onde, autómatas
Nos apressamos tanto
Todos sem excepção
Movidos pela razão
Nesta pressa fútil e desorientada
Aparentemente bem orquestrada
Deste mundo de robots
Fico bem assim
Nesta paz
Nesta quietude
De fora observando
Sentindo
Ao Todo me ligando
A minha loucura aceitando
Grata pela oportunidade
Da grande corrida me aperceber
A vida me obsequiando
Por me permitir
Ainda que por breves instantes
Do meu robot sair
E até às nuvens subir