Tanto trabalho e esforço
Neste dar e receber
Da vida o vai e vem
Não consigo perceber
Já nem sei....
Se é que vale a pena
Mesmo a alma não sendo pequena
Todo resto parece ser
Porque o receber
Raramente se alia
Aquilo que se queria
Sem deixar de agradecer
Nem sequer de valorizar
Tu o que a vida me decide trazer
Mas que coisa !
Tenho que questionar !
Porque geralmente me é dado
O que nunca pedi nem talvez quiz
O que até nem espero
Enquanto eu perseverando
Tudo pelo que quero dando
E o que quero sempre me evade
De que serve lutar
E assim tanta coisa alcançar
Se o resultado almejado
Fica sempre muito aquem
Da meta e do desejado
Há muito que pretendo um cravo
Plantei a semente
Dela cuidei pacientemente
Criei a planta
A alimentei e nutri
Enquanto ela crescia, lentamente
E eu cá na minha mente....
Sonhava e imaginava
Com este viçoso craveiro
Admirar, dos botões o primeiro
O tempo passou lento
Mas os dias foram chegando
E os botões desabrochando
Que espanto !
Eram sem duvida flores
Repletas de beleza
E das mais diversas cores
Mas cravo não...não era!
Talvez um mal-me-quer...
Ou nem sequer
Mas porque razão
Mais uma vez, cravo não era não
Permitam-me a frustração
É que juntei já
Um atraente ramo colorido
Das mais esbeltas flores
Rico em seus tons
E de fragancias guarnecido
Sem duvida uns amores
Só tem um senão
Não sei porque razão
O cravo pretendido
Nunca apareceu não !
Porque será
Que a maioria de nós humanos
Somos tão hábeis
Em golpes disferir
E uns aos outros ferir
Porque será
Que sendo nós tão frágeis
Insistimos em fragilizar
Em criticar e em julgar
Com o intuito de magoar
Porque será
Que em vez de unir
Tantos de nós
Se esforçam por dividir
Porque será
Que podendo apoiar
Optamos por derrubar
E até matar
Porque será
Que não conseguimos coexistir
Sem destruir
Porque será
Continua a minha alma a questionar
Que não escolhemos simplesmente...
Amar.